Em todo encontro, há uma troca: você deixa algo de si, e leva algo do outro. Alguns encontros, são cotidianos, outros esporádicos. Existem também os encontros únicos, que acontecem uma única vez na vida, mas deixam sua marca para a eternidade.

Mas, para haver um encontro real, é preciso que haja disponibilidade. Estar disponível é colocar-se por inteiro, no momento vivido.

Alguém já dizia que o homem não é uma ilha; mas algumas pessoas optam por sê-la, escolhem se fechar para os encontros. Se privam das alegrias, das trocas significativas, e das deliciosas aventuras que podem vir a se tornar o conviver – “viver com”…

Aprendi com Clarice Lispector (em seu texto “Eu tomo conta do mundo”, 1970), que todos os encontros podem ser significativos, se você assim permitir. Clarice, tomava conta das marcas de espuma do mar na areia, dos tons de azul do céu à noite; das mil plantas e árvores do Jardim Botânico, e de uma fileira de formigas. Sentia-se “incumbida” de valorizar estes pequenos encontros; aprendia com eles, e se enchia de poesia e sabedoria de vida.

Os encontros marcados ou inesperados, carregam sempre um universo de possibilidades. Aprendi a escolher me encontrar, com as árvores do parque onde vou caminhar; com as flores que brotam na minha varanda; e com as borboletas inesperadas, que cruzam o meu caminho. E destes encontros, sempre me abasteço de leveza.

Clarisse Linspector (1922-1970) escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira. Considerada uma das mais importantes autores do século XX

Tenho me esforçado para me encontrar mais com Deus. Sempre que consigo, algo dentro de mim se renova, nunca saio dali da mesma forma que cheguei.

Vez ou outra, me encontro comigo mesma e este é um dos encontros mais demorados, pois há sempre algo em minha “despensa emocional” para ser colocado em ordem.

Me encontro sempre, com o vendedor de paçocas do sinaleiro, costumo chamá-lo de “meu amigo”; e ele nem imagina o quanto estes nossos encontros me constroem. Sua simplicidade e humildade, reforçam para mim, um dos meus maiores mandamentos de vida: a coragem para continuar, sempre – faça chuva ou faça sol.

Viver com inteireza, na minha opinião, é abrir-se para os possíveis encontros, receber, aprender e doar. De alguns deles, você sairá abastecido, e de outros, você sairá com a certeza de ter acrescentado algum sentido à vida de alguém.

Escute Clarice, observando a formiga: “nela, pequena como é, cabe todo um mundo, que se eu não tomar cuidado, me escapa”!

Não deixe escapar de ti, as possibilidades que surgem todos os dias, de crescermos através dos nossos encontros!

RAFAELA DI GUIMARÃES CAMARGO
Psicóloga CRP 13804
[email protected]
IG: @psicorafadiguimaraes

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