Pertencer é uma palavra simples cujo significado é fazer parte. Desde sempre, o sentimento de pertencer teve importante papel, para o desenvolvimento psíquico saudável dos seres humanos. A capacidade de se unir, se conectar e se sentir pertencente gera segurança e fortalecimento interno, para o enfrentamento dos embates da vida.

Sem o sentimento de pertencimento seguimos como peças soltas, que não se encaixam. Tal sensação é produtora de insegurança e potencializa as fragilidades emocionais, favorecendo as desconexões nos relacionamentos afetivos e sociais.

Participar de comunidades, família, e ciclos de amigos, permite que nos sintamos aceitos e reconhecidos; e nos reforça valorosamente como seres pertencentes. É na relação com o outro, que vamos constituindo a condição fundamental para o nosso vir a ser, e para o desenvolvimento da singularidade de cada um. Por isto o sentimento de não pertencer, abre espaço para a fragilidade, a instabilidade e o sofrimento.

Clarice Lispector escreve em 1968, um texto com o título “Pertencer”, no qual descreve suas primitivas angústias por não se sentir pertencente “a nada e a ninguém”. Ela prossegue expressando sua “solidão de não pertencer”, e argumenta que talvez tenha começado a escrever tão cedo, por encontrar na escrita a possibilidade de ao menos pertencer um pouco a si mesma.

E aqui, deixo vagando a pergunta: “A que ou a quem, temos nos sentido verdadeiramente pertencentes?” O que nos move com significado e inteireza, e nos impulsiona a prosseguir a cada dia com segurança e otimismo, é o que nos faz realmente pertencentes. Em uma sociedade cada vez mais cheia de urgências e futilidades, não deixe de avaliar seus reais pertencimentos. Comece inclusive pertencendo a si mesmo, e prossiga tornando pertencente à sua vida só o que e quem realmente agrega valor e te acrescenta positivamente.

Concluo, citando palavras de Clarice: “Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força; eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa”.

Como ela mesma sintetizou: “Pertencer é viver”! Portanto, faça valer a pena seu ato gratuito de viver, tornando-se pertencente ao que realmente importa.

 

RAFAELA DI GUIMARÃES

Psicóloga clínica, psicanalista de crianças e adolescentes.

CRP 13804

Atendimento em Brasília, presencial e virtual.

Contato: @ psicorafadiguimaraes

 

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