São os vínculos que nos formam, e nos transformam como seres. Só o afeto é capaz de construir pontes, que nos farão eternamente ligados.

É este vínculo, que desde cedo construímos, que faz a criança crescer, e explorar o mundo com segurança. Se não houver este vínculo, ou se ele não for fortalecedor, com certeza, haverá o medo de seguir seu próprio caminho.

Enquanto caminho de mãos dadas, com meu caçula de sete anos, conversamos, observamos, e compartilhamos detalhes do percurso. A pequenina mão permanece ali, bem aquecida na minha, sem se soltar. Penso por um instante…que privilégio tenho eu, em tê-lo caminhando ao meu lado, tão seguro, por seguirmos o caminho de mãos dadas.

Três metros à frente, segue o mesmo caminho meu filho do meio, hoje adolescente. Conhecedor do caminho a ser feito até nosso destino final, ele apertou o passo, e foi adiante. Por um breve instante pensei: mas, por que ele não nos espera? Imediatamente me lembrei, que ele já quer, e já consegue me mostrar que aprendeu a caminhar sozinho.

E aí, meu coração de mãe ficou grato. Agradeci em meus pensamentos, a oportunidade ímpar de ainda poder conduzir pelas mãos o pequeno, que ainda precisa muito de mim. Para ele, ainda sou a “Sra Sabe Tudo”, ainda posso ser a protetora no caminho escuro. Agradeci também, a oportunidade de ver meu adolescente seguindo, sem necessitar da minha mão física segurando a sua. Sei que, para ter esta autonomia de seguir pela vida, ele já internalizou que embora possamos caminhar em diferentes ritmos; estarei aqui como GPS sempre que precisar. Não poderei protegê-lo dos embates da vida, mas serei sempre colo disponível; e iluminarei suas escuridões com meus conselhos quando os solicitar. Sei que dentro dele, permaneceremos de mãos dadas, independentemente dos rumos que escolha seguir.

Quando nos sentimos cuidados, e verdadeiramente amados, carregamos dentro de nós a capacidade de “ir”. O precioso vínculo, que nos autoriza a sermos nós mesmos, com autenticidade e segurança; é um tesouro que guardamos em um lugar bem protegido. Exercitar a autonomia, é desprender-se, tornar-se capaz de ficar só; e de escolher seus próprios caminhos.

Há algo grandioso que ocorre no mundo psíquico, quando pais e filhos conseguem “desligar-se” mutuamente. Abrem mão simbolicamente do

controle, e se permitem expandir; construindo algo infinitamente precioso para a vida: a possibilidade de se sentir CAPAZ e INTEIRO, sem se aprisionar mutuamente uns nos outros. E isto, sem dúvidas, é pré-requisito para o processo de SER e CRESCER.

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