É fácil escutar os ruídos, difícil é escutar os silêncios.
A correria estrondosa, os brinquedos caindo no chão, os gritos de alegria ou de birra ecoando pela casa, a música alta no chuveiro… Os berros: “manhêêêê” ou ” paiêêêê”, para pedir alguma coisa, ou simplesmente para dedurar os malfeitos do irmão .

Às vezes, os altos tons de voz, são nossos: “um minuto de silêncio por favooooor !!!”
Mas o silêncio, por vezes tão desejado, pode se tornar morada, de muitos sentimentos dolorosos na vida de nossos filhos.

E por falar nisso, você tem conseguido ouvir os silêncios de seus filhos?…
O que habita no silêncio de cada um de nós, é muito particular, e sabemos disto. Porém, este fato não pode ser ignorado.

Algumas crianças e adolescentes, escondem suas tristezas, seus medos, seus fracassos e decepções.

Guardam em” gavetas” profundas, trancadas a sete chaves, em seus corações. Optam por viver no silêncio, ocultam tudo o que lhes dói, e lhes incomoda. São os “filhos silenciosos”, aqueles que escolhem não expressar seus “maus sentimentos”, por não pos- uírem forças para lutar contra eles; ou por que não querem desagradar ninguém, inclusive seus pais. Fogem dos conflitos!
Dentro destes silêncios, vão se formando teias de sintomas, sinais de um adoecimento emocional, que tende a crescer e piorar; se não for cuidado.

Mas, como cuidar, se às vezes nem o percebemos? É por isto que acredito, que como pais, precisamos aprender a ouvir os silêncios. A suposta quietude, que muitas vezes nos agrada ( porque não incomoda) pode ocultar um vazio imenso de um ser que clama sem voz por SOCORRO.

Um acolhimento genuíno, faz toda a diferença. Um ouvido disponível e amigo, também ajuda muito. Sem o acolhimento, e a aceitação familiar, tanto a criança como o adolescente ficarão mais frágeis e vulneráveis.

Tudo o que sentimos, transmitimos aos nossos filhos. Eles nos absorvem, nos decifram, e nos testam mesmo que silenciosamente.

Portanto, a aceitação é uma boa opção para o início de um entendimento e enlaçamento.
Precisamos nos aproximar mais deles, a ponto de nos colocarmos disponíveis para ajudá-los, a organizarem seus desconfortos.

Sentimentos reprimidos, podem nos levar à doenças psicossomáticas, e a um distanciamento emocional gigantesco, dentro de nossa própria casa.

Antes de qualquer coisa, se conecte com os sentimentos de seus filhos, e valide suas emoções. Quando se sentem protegidos, e acolhidos; podem conseguir expressar seus sentimentos que estavam trancafiados sem voz, e isto já faz parte do processo de cura.

Sempre que necessário, procure ajuda de um profissional. Somos humanos, e não precisamos dar conta de tudo!

A escuta dos silêncios, só se torna eficaz, quando permitimos que a voz do outro faça morada em nós; nos despimos de nossos conceitos e julgamentos, e abrimos portas para a aceitação e o entendimento.

Então… ouça os silêncios!

RAFAELA DI GUIMARÃES
PSICÓLOGA CLÍNICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
PSICANALISTA INFANTIL
CRP 13804
@psicorafadiguimaraes

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