Quando tudo fica descosturado, e tantos fios se soltam de uma vez, uma mãe também perde o chão, e tem o direito de “despencar”… Não temos o dever de sermos fortes o tempo todo, embora muitas vezes, sejamos vistas como SUPER HEROÍNAS. E nestas horas, também precisamos de colo!


Sei que o colo de Deus, é um lugar sempre disponível, e o uso sempre. Mas, às vezes precisamos falar e sermos ouvidas, e receber um “remedinho”, um chazinho, um cafezinho, um carinho…nem que seja paliativo.
Na falta deste “paliativo”, do ouvido e do colo acolhedor, perambulamos muitas vezes sozinhas; carregando nossas descosturas; tendo como cúmplices nosso silêncio e o fiel travesseiro.


Citando Carpinejar: “Uma mãe é capaz de atravessar o inferno com o filho no colo”. Verdade, verdadeira! E eu diria que não só uma vez, mas várias; e não há como não ser doloroso. Porém, tenho a convicção que todas as vezes que passamos pelo “fogo”, saímos mais fortalecidas. Os maiores aprendizados, muitas vezes nos são doídos, mas deixam impregnados na alma, grandiosidades indizíveis!


Por isso também, precisamos encontrar nossos “portos seguros”, as pessoas que nos trazem “bálsamo”, os bons samaritanos de nossos caminhos; para nos refrigerar, para compartilhar a dor de nossos pés cansados, para trazer um pouco de “sombra” em nossos momentos escaldantes.


Reconhecer essa necessidade, já é um bom começo, pois na maioria das vezes, em nossa agenda de mãe; estamos correndo para fazer alguma coisa, para suprir alguém. Sabedoras de “tudo”, e crentes que vamos conseguir fazer “tudo certo”, quando “tudo certo” é algo inatingível…


Desgastadas, nossas costuras internas não se sustentam por muito tempo, e quando se rompem; vão desalinhavando muitas coisas. Então, é preciso com carinho cuidar do que está no nosso avesso. Pois é no avesso, que ocultamos os remendos, os reparos, o tecido frágil e as costuras desalinhadas.


Na falta do “hospital das mães”, que façamos existir nossos “pronto-socorros”, as pessoas que nos aliviam, que nos acrescentam doses de bem-estar; que nos auxiliam na re-costura. E estas pessoas (amigos, professores, terapeutas, vizinhas…) também são como “mães” para nós.


E nessa troca, “de mãe para mãe”, que possamos dividir as dores, somar as experiências e multiplicar a força necessária; para continuarmos tecendo nossa maior missão: o cuidar amoroso e responsável!


Que fique bordado em linhas firmes e douradas, que precisamos sempre umas das outras. Sempre! Neste eterno “costurar” que nos impõe a maternidade.


RAFAELA DI GUIMARÃES CAMARGO
Psicóloga CRP 13804
[email protected]

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