O empresário Ricado Feder, ex-sócio da Multilaser e secretário de Educação do estado do Paraná, após ser cotado para chefiar o Ministério da Educação, sofre represália de setores do eleitorado bolsonarista mais radicais por suas conexões e propostas publicadas em um livro do qual foi coautor.

Chamada de “ala ideológica” e muito ativa nas redes sociais, o grupo composto de seguidores do astrólogo Olavo de Carvalho rejeitou a indicação de Feder e agora fazem campanha nas redes contra a sua nomeação. Influencers, blogueiros e youtubers da bolha de apoio ao presidente Bolsonaro divulgaram trechos de um livro no qual Feder supostamente propõe, por exemplo, a redução das Forças Armadas.

A obra em questão entitulada Carregando o Elefante (2007) foi escrita por Feder e seu sócio Alexandre Ostrowieck e contém uma série de propostas consideradas, pelos próprios autores, como “radicais” do ponto de vista liberal e pró-mercado. Na obra, o candidato ao Ministério da Educação chegou a defender a extinção de pastas como o MEC e a privatização do ensino.

Em entrevista à CNN Brasil, Ricardo Feder explicou que muitas das opiniões e propostas defendidas no livro não refletem mais seu pensamento atual. Um exemplo que deu foi aplicação de vouchers para o financiamento do ensino privado e promoção da concorrência de mercado, uma ideia popularizada pelo economista norteamericano Milton Friedman (1912-2006). Feder argumentou, no entanto, que não acredita mais na proposta após sua experiência na Secretaria de Educação do estado do Paraná.

“Globalista”

Ricardo Feder também foi acusado de participar de uma agenda ‘globalista,’ termo que abrange teorias e hipóteses envolvendo a atuação de diversos organismos internacionais como a ONU e bilionários filantropos como o húngaro George Soros, o norteamericano Bill Gates e, no caso do Brasil, Jorge Paulo Lemann: atualmente o segundo homem mais rico do país.

Enquanto secretário, Ricardo Feder firmou parceria com a Fundação Lemann para desenvolver ações no estado do Paraná. A fundação de Jorge Lemann foi criada em 2002 com o foco na educação. Foi o suficiente para desagradar os seguidores olavistas que esperam a nomeação de alguém mais alinhado a seus valores conservadores. Defensores de bandeiras como a Escola sem Partido, estes setores consideram a pasta uma das mais importantes.

O empresário já havia sido cotado para o ministério na ocasião da saída de Abraham Weintraub ao cargo. No seu lugar foi nomeado o militar Carlos Alberto Decotteli da Silva, que já ocupou o cargo de presidente do FNDE. Decotelli, no entanto, não chegou a ser empossado após polêmicas envolvendo uma série de inconsistências em seu currículo.

Influência

Desde que iniciou o seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro conta com a pressão da “ala olavista” que, pelo seu poder de mobilização nas redes sociais, não pode ignorar. Foi este grupo quem, junto com representantes evangélicos, derrubou a nomeação do primeiro indicado ao MEC, Mozart Ramos, antes mesmo de Bolsonaro tomar posse. Presidente do Instituto Ayrton Senna, Ramos foi acusado de ser progressista demais para o governo pois, assim como Feder, possuía conexões com o Instituto Millennium e a Fundação Lemann. Em seu lugar, foi nomeado o professor colombiano Ricardo Vélez Rodrigues.

Analistas acreditam que desde a série de investigações da PF, PGR e STF envolvendo a família Bolsonaro, ministros e apoiadores no mês passado, Bolsonaro tomou uma postura menos beligerante. A Saída de Weintraub, um dos ministros mais contundentes na chamada “disputa ideológica” do governo, foi interpretada como uma sinalização de apaziguamento das relações do executivo para com os outros poderes. Resta saber se os olavistas conseguirão reverter este quadro com suas hashtags.

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