A falta de leitos de enfermaria e UTI, de insumos para atendimento hospitalar dos doentes e as cremações em massa ilustram a situação de horror vivida pela Índia na segunda e mais devastadora onda da pandemia.

Em meio ao caos, o país identificou ainda uma nova variante que circulando cada vez mais e causa preocupação.

A nova linhagem, batizada de B.1.617, está sendo investigada para descobrir se é mais perigosa do que a forma original do vírus, mas sua rápida disseminação por toda a Índia e em outros 16 países já mostra que é preciso criar um sinal de alerta.

A Índia detém hoje o recorde mundial de casos de Covid por dia, com média móvel semanal de 340 mil casos por dia. Desde o dia 1? de abril até esta quarta-feira (28), o número de casos reportados em 24 horas sextuplicou.

A B.1.617 surgiu em outubro de 2020, mas, até o início de abril, ela correspondia a cerca de 24% das amostras sequenciadas do vírus no país. Já no dia 24 de abril, ela era dominante e representava mais de 80% das amostras analisadas.

Sem medidas de distanciamento, falta acesso a sistemas de saúde, desigualdade social, tudo isso somado à presença de uma variante, e não só por ela, leva a uma crise sanitária muito grande”, explica o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica e professor da Universidade Feevale.

Para ele, é a mesma situação já observada em outros lugares do mundo, como Manaus e África do Sul, onde foram implementadas medidas paliativas de controle do vírus que acabaram sendo palco para a origem de novas variantes.

Pesquisadores e autoridades de saúde, no entanto, seguem monitorando a presença da B.1.617 em diversos países e na própria Índia, onde foram encontradas três sub-linhagens dela.

“Ela é uma variante com potencial para se tornar uma VOC e as medidas que puderem ser tomadas para evitar seu espalhamento, como testar indivíduos com viagem recente à Índia ou monitorar os passageiros em trânsito entre o país e os outros do entorno devem ser feitas”, afirma Spilki.

Por enquanto, o que se sabe é que ela possui 23 mutações que resultaram em trocas de aminoácidos (mudando, assim, as proteínas que formam o vírus), das quais quatro ocorreram na proteína S do Spike (espícula usada pelo vírus para invadir e infectar as células).

“O que interessa é que desde janeiro temos visto essa e outras variantes com mutações ocorrendo quase sempre nas mesmas regiões do vírus, em geral naquelas associadas ou à entrada do vírus nas células humanas -conferindo vantagem de ser mais transmissível, permitindo assim replicação melhor no organismo- ou nas chamadas regiões de neutralização do vírus [onde os anticorpos do nosso sistema imune vão se ligar ao Sars-CoV-2 e bloquear sua entrada]. A mutação E484Q pode se comportar da mesma forma que a mutação na variante sul-africana, diminuindo a ação dos anticorpos e até mesmo afetando as vacinas em uso contra a Covid”, diz.

Um estudo recente publicado na forma de pré-print testou o soro convalescente de indivíduos que tiveram Covid no passado contra a nova variante e também o soro de vacinados com a vacina Covaxin para saber se há perda de imunidade, e viram que não houve bloqueio da ação de neutralização dos anticorpos.

Porém, o número de pessoas analisadas foi baixo (menos de 40) e a pesquisa foi feita em laboratório, quando o ideal é avaliar a eficácia da vacina na vida real contra a nova variante. Para isso, argumentam os autores, é preciso acelerar a vacinação no país para tentar reduzir drasticamente o número de novos casos e óbitos.

Via FolhaPress

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