O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta terça-feira que compartilhará dados da comissão, que está em sua reta final, com vários órgãos de investigação, como a Procuradoria-Geral da República (PGR), unidades do Ministério Público Federal (MPF) nos estados e o Tribunal de Contas da União (TCU). Ele disse também que não vai “miar” no relatório e que o presidente Jair Bolsonaro vai ser, sim, um dos indiciados, num total de mais de 30 nomes.

— Vamos mandar para o PGR apenas o que couber à PGR. Vamos destrinchar para o MPF do DF, de São Paulo, outros estados, TCU — disse Renan em entrevista antes da sessão.

Questionado se Bolsonaro pode ser indiciado pela CPI, Renan respondeu:

— Pode ser, com certeza será. Nós não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório. Ele com certeza será sim pelo que praticou.

Sobre outros nomes que vão constar no relatório, o relator disse:

— O presidente da República, os ministros, as pessoas que tiveram participação efetiva no gabinete paralelo, no gabinete do ódio, e todos aqueles que tiveram responsabilidade no desvio de dinheiro público, na roubalheira. Essas pessoas serão responsabilizadas.

Perguntado se o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai ser ouvido novamente, ele disse que não. O ministro já prestou depoimento duas vezes na CPI. A comissão, por outro lado, poderá mandar perguntas por escrito para ele.

— Acho que não, porque esta semana é a última de depoimentos. Os três depoentes já estão escolhidos. E vamos encerrar os depoimentos. Dia 19 vamos ter a cerimônia de encerramento.

Ele também afirmou que, uma vez que o relatório estiver pronto, o que deverá ocorrer em torno do dia 15 de outubro, vai conversar individualmente com cada integrante da CPI. A previsão é que o texto seja lido no dia 19, quando qualquer membro da comissão pode pedir vista. Com isso, a votação deverá ocorrer em 20 de outubro.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também disse que mais de 30 pessoas serão indiciadas no relatório final. E que, após a aprovação do parecer, os membros do colegiado terão uma agenda “ampla” para encaminhar esses processos em diferentes esferas.

— Terminando a CPI vamos ter um trabalho tão intenso quanto a própria CPI, com uma agenda ampla porque nem todos os indiciados irão necessariamente para a Procuradoria-Geral da República (PGR) – disse Randolfe.

Ele citou que alguns dos indiciamentos que não irão para a PGR envolvem o ex-ministro Eduardo Pazuello, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco e integrantes da empresa Precisa Medicamentos. O senador também falou sobre o presidente Jair Bolsonaro.

— Fatalmente o presidente será indiciado e creio que os tipos penais sobre o presidente serão, em quantidade e qualidade, maiores do que os tipos penais relativos a outros agentes. Nós estamos estimando pelo menos 30 pessoas que devem ser indiciadas ao final do relatório. Essa contagem era antes do caso Prevent Senior, que deve aumentar o número de indiciados — disse Randolfe após reunião na casa de Omar Aziz.

 

Com informações de O Globo

Fique por dentro do que acontece em Brasília

Receba atualizações semanais.

Relacionados

Já se passaram 16 meses desde que Fux interferiu em um processo judicial como corregedor do CNJ

Na próxima terça-feira, 18, passaram exatamente 16 meses desde que o ministro Luiz…

Pontos de ampla testagem somam 1.156 atendimentos na terça (11)

Os testes são recomendados para quem apresenta sintomas da covid-19 ou teve contato com alguém infectado.

Com a chegada de 15 mil doses, GDF deve vacinar crianças a partir de domingo

O Governo do Distrito Federal (GDF) espera receber cerca de 15 mil doses nesta sexta-feira (14/1). A imunização infantil vai começar por aquelas com 11 anos ou com síndrome de Down. Inicialmente, serão 10 pontos de aplicação voltados a esse público